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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O meu amorzinho.

Mia está parada na frente do pote de água dela. Ela acabou de jogar um chaveiro (sem chaves) que ela roubou da minha mesa de trabalho, na água. O chaveiro flutua, a correntinha faz barulho na beirada do pote de louça. Ela se senta na frente do pote e contempla, encantada, sua felina obra de arte. Toca o chaveiro com a patinha, fazendo-o girar no pote, fazendo barulhinho de metal colidindo com a louça.

Vou esperar mais um pouco antes de ir lá e acabar com a brincadeira. Claro, não posso deixar ela beber uma água que ela acabou de poluir dessa maneira. Mas não agora. Não agora. Agora, ela está lá sentada, olhando sua obra de arte, com um sorriso de gato no rosto.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Kafka on the Shore

“Sometimes fate is like a small sandstorm that keeps changing directions. You change direction but the sandstorm chases you. You turn again, but the storm adjusts. Over and over you play this out, like some ominous dance with death just before dawn. Why? Because this storm isn't something that blew in from far away, something that has nothing to do with you. This storm is you. Something inside of you. So all you can do is give in to it, step right inside the storm, closing your eyes and plugging up your ears so the sand doesn't get in, and walk through it, step by step. There's no sun there, no moon, no direction, no sense of time. Just fine white sand swirling up into the sky like pulverized bones. That's the kind of sandstorm you need to imagine.

An you really will have to make it through that violent, metaphysical, symbolic storm. No matter how metaphysical or symbolic it might be, make no mistake about it: it will cut through flesh like a thousand razor blades. People will bleed there, and you will bleed too. Hot, red blood. You'll catch that blood in your hands, your own blood and the blood of others.

And once the storm is over you won't remember how you made it through, how you managed to survive. You won't even be sure, in fact, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm you won't be the same person who walked in. That's what this storm's all about.”
Haruki Murakami, Kafka on the Shore

A verdade aparece em pequenas gotas

Há uns meses atrás eu vi uma notícia sobre o "maior reservatório de água do universo" e fiquei extasiada com a imagem.


Como somos pequenos e insignificantes.
Enquanto os cientistas, os ecologistas e muitos mais se dedicam a campanhas de preservação da água em nosso diminuto planeta, o universo nos envia essa mensagem poderosa para nos ensinar a ser mais humildes.

Elvis e Madona

Faz uns dias que estou atrás desse filme, quero assistir. Não tenho a menor idéia de como vou conseguir isso, o filme não está sendo exibido em lugar nenhum que eu possa assistir. É sempre esse o problema crônico do cinema nacional: distribuição. E não dá nem para culpar os produtores do filme, o buraco é muito mais embaixo. O principal problema é o desinteresse dos exibidores, especialmente com filmes independentes. No site oficial do filme não há nenhuma informação sobre como comprar o filme em DVD, não foi lançado ainda.

Por mais que eu queira assistir, talvez vá ser outro daqueles filmes que eu vou levar anos para conseguir acesso e, talvez, acabe vendo uma cópia horrível pirateada pela rede, por total falta de opção. É terrível.Terrível! A nossa cultura precisa ser mais valorizada!

Mas o filme, que me agrada pelo tema e pelos pequenos trailers que pude assistir já vem com pelo menos dois problemas que me incomodam, na minha concepção pessoal, baseado nas resenhas que eu li por aí.

O primeiro problema é a necessidade de rotular os personagens, que eu não sei se saiu da produção do filme ou foi uma daquelas coisas incontroláveis que acontecem entre o press-release e o trabalho do jornalista que publica a resenha.  Os rótulos me incomodam. Por que Madona precisa ser rotulada como um homem gay travestido? Por que Elvis precisa ser rotulada como uma mulher lésbica? Eles poderiam ser apenas duas pessoas, de sexualidade não rotulada, que se conheceram, se sentiram atraídos um pelo outro e se apaixonaram. Pessoalmente, eu teria gostado mais.

A segunda coisa que me incomoda é o fato de Elvis ficar grávido na história. Fiquei aborrecida com esse "artifício de roteiro" embora ainda não saiba como isso é tratado. Tenho muitos amigos gays de vários tipos e todos eles sabem muito bem como precisam se  preservar de doenças, como se proteger e, se necessário, evitar gravidez. Eles não são inocentes nem ignorantes.

Não consigo aceitar que os personagens Elvis e Madona fossem tão descuidados.

Outra coisa que me incomoda em torno desse mesmo fato é que não acredito que Elvis e Madona, se são mesmo "lésbica" e "trans" ou "travesti" fossem ter uma relação sexual tão convencional e tão "estilo hetero", com Madona realizando o papel masculino e Elvis realizando o papel feminino na prática sexual e fazendo sexo como um casal hetero. Até onde eu sei, até onde eu conheço, não é assim que eles transariam. Madona seria fiel ao seu desejo de ser mulher para Elvis, que seria fiel ao seu desejo de ser um homem para Madona.

A gravidez não aconteceria.

Fico imaginando se faltou pesquisa, se optou-se por uma saída fácil no roteiro, o que será que aconteceu?

Ainda assim, quero muito assistir a esse filme. É bom ver um filme que foge do convencional, que foge do cliché. Vamos ver se eu consigo.

Steve Jobs rejeitou cirurgia que poderia salvá-lo

Eu estou impressionada e pensativa com essa notícia:

Steve Jobs rejeitou cirurgia que poderia salvá-lo


Segundo Walter Isaacson, que escreveu a biografia do executivo, Jobs só aceitou fazer a operação quando já era tarde demais (MacWorld)


Eu entendo o medo do tratamento - eu, que vivo em constante tratamento médico, posso compreender o medo, o cansaço, todos os sentimentos que envolvem um longo e complicado tratamento médico.

Também compreendo como a fé pode ser poderosa para fortalecer quem está em uma situação difícil, especialmente com a vida em risco.

Também compreendo a opção pelo fim - Terry  Pratchett, meu querido e adorado Terry  Pratchett, está lutando pelo direito de ter um suicídio assistido, por causa do Alzheimer.

Fico imaginando o que passou pela cabeça de Steve Jobs.
Será que ele acreditava tanto assim que a doença desapareceria por milagre?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Crazy


I remember when, I remember, I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that place
Even your emotions had an echo
In so much space
And when you're out there, without care
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Possibly
And I hope that you are having the time of your life
But think twice, that's my only advice
Come on now, who do you, who do you, who do you, who do you think you are?
Ha ha ha, bless your soul
You really think you're in control
Well, I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me
My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking "I want to be like them"
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done
Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably